Perfil de um Mediador Sociocultural

Vladimir Correia Gomes, 39 anos
Guiné-Bissau

Vladimir Gomes é uma pessoa de sorriso fácil, entre infindáveis dossiers e documentos importantes dos inúmeros casos de pessoas imigrantes que acompanha e que aguardam a sua vez para que por ele possam ser orientadas.

É natural da Guiné-Bissau e mediador sociocultural da associação Solidariedade Imigrante – Associação de Defesa dos Direitos dos Imigrantes (Solim). Chegou a Portugal a 21 de março de 2005, vindo de Cuba, onde se licenciou e conheceu a sua esposa. Portugal era para ser um ponto de passagem para outro país, mas acabou por ficar. Desde então, a Solim é, não apenas, o seu local de trabalho, mas a sua casa também.

Chegado a Portugal, já cá tinha alguns familiares, o que facilitou a sua adaptação. Apressou-se a juntar-se ao movimento associativo para dar continuidade ao seu trabalho de ativismo pelos direitos humanos das comunidades africanas que já fazia em Cuba. Agora, num movimento mais generalista pela defesa de qualquer comunidade imigrante, Vladimir encontrou a Solim. “Fui atendido, pela Madina, hoje em dia minha colega”, expressa Vladimir numa forte gargalhada.

Foi através do trabalho de mediação sociocultural desta organização que conseguiu regularizar a sua situação, obter o seu título de residência e trazer a sua família de Cuba para Portugal. Depois, passou ele a ser um mediador, começou como voluntário na Solidariedade Imigrante para o desenvolvimento de trabalho a pares, tornando-se efetivo desta organização já há mais de uma década. O seu trabalho passa fundamentalmente pela orientação das pessoas imigrantes em áreas como a regularização da sua situação documental no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Segurança Social, Finanças e Autoridade Tributária, acesso à habitação, à saúde e à educação. Esta área de intervenção, denominada de mediação sociocultural, dá-se geralmente em contextos multiculturais e visa a integração, participação e orientação de grupos minoritários, reforçando o diálogo intercultural e promovendo a resolução de conflitos entre, neste caso, os imigrantes e os serviços públicos.

É uma função especifica que procura promover a compreensão de processos sociais e procedimentos administrativos que constituem um determinado sistema socioeconómico, dotando os imigrantes de conhecimento para os seus direitos e deveres de cidadãos. “É este tipo de mediação que representa uma das componentes que mais contribui para o processo de integração dos imigrantes no seu país de acolhimento. É uma dupla aprendizagem, para nós e para eles. Isto é, os imigrantes quando chegam têm algum medo dos serviços, por se encontrarem “ilegais” e nós somos a ponte entre as pessoas e o sistema. Connosco, as pessoas não têm medo, confiam-nos as suas histórias, os seus casos, objetivos e necessidades. Se os pudermos ajudar na sua língua materna e considerando os seus códigos culturais, tanto melhor. Considero fundamental a mediação sociocultural em qualquer serviço público, pois é a garantia de um serviço de qualidade a estas populações mais vulneráveis, sobretudo na área da saúde, pois é difícil compreender como funcionam os serviços e os seus procedimentos e nós estamos aqui para os fazer entender”. – explica Vladimir.