Entrevista a Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta foi recentemente distinguida pelo Ministério da Cultura com a “Medalha de Mérito Cultural”, pelo seu contributo incomparável para a cultura portuguesa. Não gosta de prémios, gosta de escrever, sempre à mão e de caderno no colo. A poesia é a sua linguagem e o erotismo o seu tom de voz. Censurada, nas sombras de uma época marcada pelo fascismo, Maria Teresa Horta é um ícone da luta pelos direitos das mulheres em Portugal. Com uma sabedoria nuclear, do âmago das suas experiências, a poetisa falou.

Em que período da sua juventude começa a sua relação com a escrita?

A minha escrita começou muito cedo, não na minha juventude, mas na minha infância. Costumo dizer que nasci no escritório do meu pai. Claro que nasci na cama dos meus pais, na altura não existiam maternidades, as pessoas nasciam em casa, mas aquilo que eu me lembro, desde muito cedo, é dos livros do escritório do meu pai, para onde eu passava os meus dias a olhar maravilhada.

Tive uma avó espantosa, mãe do meu pai, que me lia aquilo que eu queria. Sentávamo-nos as duas nesse escritório, eu olhava para a estante e escolhia um livro para que a minha avó me lesse. Nunca me disse “este não é para a tua idade”, nunca. Perguntava-me, sim, se eu estava a perceber. É aí que começa a minha escrita, é aí que eu começo a escrever, num caderno em capa de oleado do meu pai. Ele era médico. Três folhas antes de acabar os seus cadernos ele deitava-os lá numa caixinha e eu ia buscá-los e dizia “estou a escrever um romance”. Claro que nunca ia para lá de três, quatro linhas, mas isso foi a primeira coisa relacionada com a escrita que me lembro de ter feito muito pequena. Normalmente, aprendia-se a ler e a escrever aos sete anos, altura em que se entrava na escola, mas o meu pai estava desesperado, porque eu não deixava ninguém sossegado, e contratou uma professora que me ensinou a escrever e a ler – é aí que tudo começa – antes de entrar na escola.

Como foi a descoberta do movimento feminista, do ponto de vista existencial e dos direitos humanos, numa sociedade profundamente patriarcal e marcada pela ditadura?

Eu não estou de acordo que a minha escrita seja marcada pelo feminismo. Eu é que desde muito nova contestei a situação das mulheres, ou seja, contestei aquilo que estava à minha vista. As mulheres tinham menos direitos, era evidente que as mulheres deviam uma obediência aos homens. Quem mandava eram os homens. Quem mandava era o meu pai. Há uma coisa para mim muito importante: quando era pequena, a minha avó saía de casa para ver umas amigas, era o que ela dizia ao meu pai e levava-me a uma casa em Benfica onde ia ter com umas senhoras. Um dia, já eu era uma mulher feita, a trabalhar na Revista Mulheres, a Maria Lamas regressa. do exílio, porque Marcelo Caetano que vinha substituir Salazar, mas que era tão fascista quanto ele, embora um bocadinho mais culto, disse aos filhos da Maria Lamas que ela poderia voltar, que não lhe aconteceria absolutamente nada. Na altura, eu era chefe de redação. Quando ela regressa, vai visitar a revista e pergunta-me: “Não se lembra de mim? Olhe bem para mim”. A Maria Lamas era amiga da minha avó, reunia-se também na casa em Benfica. Lembro-me de ela me dizer: “Aquelas mulheres que se reuniam naquela casa eram feministas “. Ora bem, então a minha primeira ligação ao feminismo é através da minha avó que era uma sufragista e eu não sabia. Vivi a transição do sufragismo para o feminismo, numa altura em que as mulheres mais novas já falavam de feminismo e as mais velhas falavam de sufragismo. Realmente não tinha memória disso.

Como é que obras como “Ambas as mãos sobre o corpo”, ou mais tarde, “Minha Senhora de Mim”, foram recebidas pelos leitores, especialmente pelas mulheres portuguesas que viviam na sombra de um regime?

Eu penso que toda a minha obra é uma obra contestatária, é uma obra com que as mulheres se identificavam e muitas delas, até de uma forma muito secreta, porque naquela altura não havia liberdade para as mulheres e não era de todo uma brincadeira. Eu representava aquilo que elas sentiam, com que as mulheres se identificavam, nas suas vivências, sofrimentos, alegrias, e até no desejo e no erotismo dos seus corpos. Pela primeira vez, havia uma mulher neste país que falasse destes temas ligados ao íntimo. Lembro-me de João Gaspar Simões* ter feito uma excelente crítica sobre mim: “aquela criatura única e execrável” que surge como nova escritora.

Existia uma grande paragem geracional entre mim e por exemplo David Mourão Ferreira, um Urbano ou uma Natália Correia. Houve uma estagnação geracional na literatura. Quando surge a nova geração de escritores e publicações como o Poesia 61, aí tive oportunidade de conhecer outros como eu:  Gastão Cruz, Lídia Jorge, etc. É nesta fase que começa a minha escrita ligada ao feminismo, mas nunca fui uma feminista que usou a escrita para fazer propaganda, não! Eu escrevia sobre o feminismo porque eu era e sou uma feminista. Quando me fazem essa pergunta, eu digo sempre: sou feminista e isso revela-se na minha escrita, sim. Não o faço propositadamente, carrego isto dentro de mim, porque é quem eu sou. Como lhe contei, estive na minha infância, sem saber, muito perto do sufragismo e do feminismo. Tenho muito orgulho nisso.  

Em que circunstâncias é que conhece Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa e o que vos leva a escrever “Novas Cartas Portuguesas”, uma obra considerada pelo poder instituído na época como “subversiva” e “perversa”, sabendo que isto significaria perseguição, censura e, na pior das hipóteses, prisão?

Eu conheci a Maria Isabel Barreno e a Maria Velho da Costa durante o fascismo. Não existia nenhum movimento feminista na altura. Já falávamos do feminismo umas com as outras. Discutíamos. Mas não existiam grupos organizados até ao 25 de abril. Nós eramos amigas. A Isabel Barreno e Maria Velho da Costa trabalhavam juntas. Entrevistei Maria Isabel Barreno, quando ela publicou o seu livro “Os outros legítimos superiores”, e perguntei-lhe se me dava o contacto da Maria Velho da Costa para a entrevistar para o suplemento literário da Capital, onde eu trabalhava na altura. Entretanto, passámos a dar-nos muito bem, ficámos ligadas. Íamos almoçar semanalmente ao Bairro Alto, a um sítio onde iam os jornalistas e que todos chamavam o “Treze”, que era o número da porta, embora não fosse o nome oficial do restaurante.

Quando escrevi o “Minha Senhora de Mim”, a minha vida virou de cabeça para baixo. A responsável pela D. Quixote, Snu Abecassis, foi chamada pelo César Moreira Batista***, que lhe disse que se a publicação do que quer que fosse da Maria Teresa Horta fosse para a frente, que não só censurava o livro como lhe fechava a casa, a editora.

Ela perguntou o porquê, e ele explicou: “Se a senhora publicar um livro, nem que se chame “A História da Carochinha”, por Maria Teresa Horta, a sua editora acaba”.

A partir do momento em que o livro é publicado e apreendido, a minha vida mudou.  Uma noite saí de casa para ir ter com o meu marido, que tinha saído da redação, sou perseguida por um carro e acabo por ser agredida, batem com a minha cabeça no chão e dizem-me claramente “isto é para aprenderes a não escreveres aquilo que escreves”. Tive de ir para o Hospital. No dia seguinte fui trabalhar na mesma, e era dia de almoço com as Marias.  Elas ficaram chocadas por uma obra lírica ser alvo de tanto ódio e violência. Durante o nosso almoço, elas puseram a seguinte possibilidade: se uma mulher que escreveu uma obra conseguia causar tanto caos, imagine-se três. Foi assim que surgiram as “Novas Cartas Portuguesas”.

Na altura, a Maria Velho da Costa estava a escrever “A Morte da Mãe”, o que a fez ficar reticente com a ideia de escrevermos um livro as três. Na semana seguinte, quando fomos almoçar, a Maria Velho da Costa apresenta a primeira carta, ou seja, é ela que refila, mas é ela que aparece com a primeira carta daquele que viria a ser o nosso livro. Pensámos na metodologia do livro e chegámos ao fim do livro nove meses depois. Foi o tempo de uma gestação. A Natália Correia acabou por ser quem publicou o nosso livro.

Quando o livro é proibido, decidem projetar a vossa voz e fazê-la chegar a referências do feminismo e liberdade de expressão na Europa, como Simone de Beauvoir.

A situação ficou muito perigosa para nós. Fomos as três chamadas para ir até à Judiciária. Foi o Inspetor Paredes que nos recebeu. Estávamos sentadas na salinha, quando uma senhora vem ter connosco e nos pergunta: “o que é que as senhoras estão aqui a fazer?”. Respondemos que nos tinham mandado sentar ali, que tínhamos escrito um livro e que queriam falar connosco por causa desse livro. A mulher respondeu: “ai as senhoras são escritoras? Então esta não é a vossa salinha, que esta salinha é a das prostitutas.” Ou seja, aquilo foi um processo de humilhação. A Maria Isabel tinha na altura um corajoso amigo que ia a Paris e se prontificou a levar o livro e mais um conjunto de cartas. Se ele fosse apanhado pela PIDE… Escrevemos para a Simone de Beauvoir, ela era a mulher da escrita feminista. E foi a nossa mentora, de todas as mulheres depois do 25 de abril, graças ao “Le deuxième Sexe”. Enviámos um livro e uma carta. Na altura, a Simone tinha um grupo de mulheres latino-americanas que vinham para Paris refugiar-se das ditaduras militares dos países em que viviam. Pedimos na carta que essas mulheres traduzissem o nosso livro para a Simone de Beauvoir. Tinha de ficar claro para ela que nós não eramos panfletárias, nós fazíamos literatura. Todas elas ficaram animadas. Três meses depois aconteceu o primeiro encontro internacional feminista da história na Europa e o nosso livro foi falado por uma das mulheres deste grupo da Simone. Assim, o congresso, por votação unânime, declarou as “Novas Cartas Portuguesas” a voz, digamos assim, do movimento internacional feminista.

Disse-me “jornalista é a minha profissão”, escritora é quem eu sou”. Em que medida é que a escrita a define e a foi encaixando entre o jornalismo, a prosa e a poesia?

Eu acho que não custou nada, para mim a minha voz está presente em qualquer que seja o meu tipo de escrita. Jornalista é a minha profissão e tenho muita honra nisso. O jornalismo faz muito bem à escrita criativa porque nos ajuda a recuar. Conseguirmos ficar atentos e focados no que estamos a escrever, é algo que a prática jornalística nos dá. Eu comecei a escrever uma crónica chamada “Quotidianos instáveis”. A meio do primeiro ano começo a escrever “fora” desta crónica em torno de algo ligado aos quotidianos instáveis, o que veio a tornar-se no meu livro de ficção. É um livro que eu gosto muito e que tem o seu início nas crónicas primeiras e depois se desenvolve numa ficção. Esse livro foi reeditado no ano passado. Isto é um bom resumo da junção entre a minha faceta jornalística e de poetisa. Não acho que haja uma cisão entre os dois mundos. A minha profissão ajudou-me muito a criar distanciamento, o jornalismo deu-me sabedoria na linguagem. Todas estas linguagens se enriquecem mutuamente. É muito bonito uma pessoa ter a noção de que não precisa de se isolar para escrever, é muito bonito a escrita enquanto arte e enquanto profissão.

Está a escrever uma nova obra, “Paixão”. Pode levantar-nos o véu sobre a mesma?

É um livro de poesia. O meu marido morreu repentinamente há um ano, foi uma violência muito grande para mim. Ele é a minha paixão, ao final de 56 anos juntos. No dia seguinte ao funeral, disse para mim “vou escrever um livro e o título vai ser Paixão”. Este livro é para ele, como todos os outros que escrevi. É um livro de poesia de amor dividido em seis partes. Nunca pensei ser capaz de fazer isto. Inicialmente, a escrita deste livro ajudou-me muito. Todos os dias escrevia, escrevia e escrevia… a poesia salva. A poesia salva-me. Salvou-me várias vezes na minha vida. Mais uma vez. Nesta fase, o processo tornou-se muito mais difícil, porque eu escrevo à mão e estou a ter dificuldade em passar para a máquina porque é o tema que é… É perturbante.

 Foi um livro que me deixou viver e sobreviver à morte e que agora, neste momento, faz-me reviver diversos aspetos da minha vida e da perda. Não estou a reagir mal ao livro, estou a reagir mal ao assunto. Tenho hesitado muito. Sinto-me desassossegada com este livro. Escrever o livro fez-me aguentar, mas agora ter de olhar para este espelho inquieta-me.

A publicação está prevista para abril de 2021, mas eu quero arrastar até maio, porque foi em maio que o Luís, há 57 anos, me disse que estava apaixonado por mim. Acho que sim, que no fundo, quero publicar o livro em maio.

Ao refletir sobre a sua história, sobre a sua escrita e as suas lutas, considera que a sua voz ecoou e ficou gravada na história da literatura e das mulheres de uma geração em Portugal?

Quem sabe, isso é o que todos nós artistas queremos. Como é que vou saber uma coisa dessas… Mas há uma coisa que eu sei, eu sou a minha escrita. Eu sei que dei o melhor de mim, o que me é mais genuíno e mais verdadeiro. Entreguei-me por inteiro à literatura portuguesa. Será que o António Nobre esperaria que a sua poesia fosse lida neste século? É uma coisa tão aleatória. É o que eu quero, sem dúvida. Não sou capaz de viver sem escrever. A minha escrita também não é apenas uma coisa generosa, a minha escrita é-me urgente. Mas sim, há muitas mulheres que me têm agradecido pela coragem que lhes transmiti. É verdade que sim. Agora se vai ecoar, eu não sei. Influenciou possivelmente a minha geração e as duas que se seguiram, mas não sei se vai ecoar para lá deste tempo. Quem é que haveria de dizer ao Camões ou a tantos outros escritores espantosos que iriam ser lidos séculos depois? Quanto mais eu…

Se me perguntar se eu acho que fui importante para muitas mulheres, eu acho que fui. Aquilo que eu disse nos livros ajudou muitas mulheres da minha geração e não só. Aliás, vê-se até nas minhas páginas de Facebook a quantidade de mulheres e a ausência de homens. É impressionante. Eu devo ter cinco ou seis leitores, homens. Lembro-me de o Manuel Alegre uma vez me dizer “Olha Teresa que não há na Europa nenhuma mulher que tenha uma Antologia de poesia erótica, só há homens”. Foi aí que decidi criar o “Ambas as mãos sobre o corpo”, que foi lançado pelo Manuel Alegre. Foi importante para mim saber que eu era a primeira mulher a fazer uma Antologia dentro deste tema. Para eu ter criado uma Antologia e porque eu tinha muita poesia escrita. Gosto muito desse meu livro, mas foi uma luta muito grande do ponto de vista político e social. Chamavam-me desavergonhada. Ligavam-me para casa às quatro e cinco da manhã a descomporem-me a mim. Lembro-me do meu filho ser miúdo e vir-me perguntar o que é que significava desavergonhado. Toda uma luta antes do 25 de Abril, o “Minha Senhora de Mim”, imediatamente proibido pelo César Moreira Baptista**, ficou-me com tanta raiva o homem porque não só eu escrevia poesia erótica como era a primeira mulher dirigente do Cineclube em Portugal, uma ideia inconcebível para ele.

Foi no passado dia 3 de novembro distinguida com a Medalha de Mérito Cultural, pelo Ministério da Cultura. O que é que significa para si este reconhecimento?

Significa um reconhecimento de que a escrita da mulher é cultura. Durante tanto tempo julgou-se que só os homens sabiam escrever e que as mulheres só podiam escrever uns romancezinhos de cordel ou poesia romântica. Para mim, foi importante que me fosse atribuída esta medalha por uma mulher. Finalmente, há mulheres ministras e ministras da Cultura e há mulheres que reconhecem o mérito a outras mulheres. Durante anos, as mulheres foram ensinadas a detestar outras mulheres, a termos medo umas das outras, a competirmos umas com as outras. Isto vem realmente demonstrar que há outra razão. Foi gratificante, nesta altura da minha vida. Uma pessoa chega a uma determinada idade e põe em causa as suas motivações para viver e de repente, aparece este reconhecimento. Sou do tempo em que havia mulheres que escreviam na casa de banho, que era o único sítio onde podiam fechar a porta à chave, e conheço mulheres que escreveram livros assim. Não sei se mereço esta distinção ou não. Eu adoro a literatura e fiz tudo para divulgar a literatura em Portugal, até como jornalista. Entrevistei os grandes escritores. Algo consegui fazer pela cultura em Portugal. Com todo o meu amor. Talvez até o tenha merecido. Não tem a ver com o talento ou com a minha escrita, tem a ver com os outros. Eu quis disseminar o que fiz e o que os outros fizeram. E claro, quis dar mais voz às mulheres. Quando recebo este prémio, tomo-o como o reconhecimento da minha escrita, mas também do meu trabalho em torno da escrita e dos escritores.

Ficam sonhos por realizar? Faz planos para o futuro?

Claro que sim! Planos de vida não, planos literários com certeza que sim. Eu, todos os dias escrevo, se eu não escrevo, nem sei o que fazer. Este livro “Paixão”, quando estiver concluído, entrego à minha editora e será publicado, mas haverá mais. Muitos livros. Tenho muita coisa. Acho que estão a ser escritas coisas muito boas por mulheres e isso inspira-me também. Toda a vida disse que isto ia acontecer. As mulheres, cada vez mais escrevem, pintam, criam. Lutámos todas por isso. Não nos esqueçamos que no passado as mulheres escreviam e assinavam os maridos. Estou positiva, o reconhecimento daquilo que somos capazes é-nos devido.

*Maria Lamas foi uma escritora, jornalista e ativista pelos direitos das mulheres. Foi das primeiras jornalistas profissionais, tendo começado na Agência Americana de Notícias a receber um salário. Foi presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP) em 1946. Dirigiu o suplemento semanal Modas e Bordados da revista O Século. Criou exposições, traduziu inúmeras obras e escreveu poesia e outras obras literárias, nomeadamente “As Mulheres do meu País”, em 1948

**João Gaspar Simões foi um dramaturgo, biógrafo, ensaísta e crítico que fundou a revista Presença em 1927, revista que teve uma forte influência na literatura em Portugal. Escreveu critica literária para publicações como o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias e o Primeiro de Janeiro.

***César Moreira Baptista foi um político e advogado português na altura do Estado Novo, trabalhava no Secretariado Nacional de Informação, no Palácio da Foz. Era Ministro do Interior aquando do 25 de abril.