É preciso agir agora e não há tempo suficiente!

elizabeth watuti

Todos nós tivemos os nossos momentos de infância. Fossem eles bons ou maus, há coisas que amamos e mantemos com muito carinho nos nossos corações. Talvez algumas dessas coisas nos tenham tornado naquilo que somos hoje…

O meu nome é Elizabeth Wathuti, sou ativista ambiental e climática do Quénia e tenho 24 anos. Cresci em Nyeri, uma região conhecida pelas suas belas florestas, numa vila onde plantar árvores e beber de riachos limpos era habitual. Comecei a amar e a ligar-me à natureza desde muito cedo. O meu primeiro ato como ativista climática foi plantar uma árvore aos 7 anos de idade, inspirada pela Professora Wangari Maathai, a primeira mulher africana a receber o Prémio Nobel da Paz, que na época era membro do Parlamento na minha região. Eu tornei-me parte da natureza e a natureza tornou-se parte de mim.

Acredito que a interação da humanidade com a natureza está relacionada com a forma como nos conectamos ou desconectamos do ambiente natural. A natureza tem sido a minha maior professora e o meu amor pela natureza tornou-me ambientalmente consciente desde muito jovem. Quando era adolescente, ficava de coração partido quando via ou lia sobre a destruição das florestas, o lixo nos rios, a extinção dos animais, as crianças a lutar para respirar em algumas partes do mundo devido ao ar extremamente poluído. Estava tudo a acontecer tão rápido e eu fiquei muito perturbada e preocupada com o futuro do nosso planeta.

Por essa razão, decidi tornar-me ativista ambiental. Tudo o que desejo, e pelo que continuarei a lutar, é que todos tenham um mundo habitável e um futuro seguro, incluindo as gerações futuras.

Em 2016, fundei a Green Generation Initiative (GGI), com o objetivo de consciencializar os jovens sobre a importância de amar e respeitar a natureza e o ambiente.

Apesar de serem mais vulneráveis às alterações climáticas, acredito que as crianças e os jovens em geral têm um grande papel a desempenhar na condução de ações globais para enfrentar esta crise. É por isso que não podemos deixá-los para trás ou ignorá-los.

Quando criei a GGI, comecei com pequenos passos. A minha paixão era a minha força motriz e não tinha quaisquer fundos. O meu primeiro evento foi numa escola primária, onde usei o meu próprio dinheiro para comprar árvores jovens para plantar e dar formação na área da educação ambiental. Foi um grande sucesso e, mais tarde, recebi o prémio da bolsa Wangari Maathai do The Greenbelt Movement, da Kenya Community Development Foundation e da Rockefeller Foundation, que me permitiu concluir o curso dos meus sonhos na universidade: estudos ambientais e desenvolvimento comunitário. Também me permitiu criar o meu próprio viveiro de árvores em casa, para que fosse mais fácil obter árvores jovens para plantar a custo reduzido ou sem custos.

A GGI dedica-se a apoiar jovens entusiastas pelo ambiente, promovendo a cultura da natureza como uma prioridade, o amor pela natureza e a consciência ambiental. Os nossos programas incluem educação ambiental, escolas ecológicas, a promoção de uma cultura de cultivo de árvores de forma a aumentar a mancha florestal, através de uma campanha de adoção de árvores, e criação de jardins florestais, que incluem árvores de fruto para melhorar a segurança alimentar.

Até ao momento, demos formação ambiental a mais de 20.000 crianças em várias escolas do Quénia, e facilitámos a plantação de mais de 30.000 árvores jovens nas escolas, onde promovemos também uma campanha de adoção de árvores, cuja taxa de sobrevivência é de 99%.

O meu conselho para todos os ativistas climáticos é que não deixem de lutar. Isto é sobre o nosso futuro, mas é preciso agir agora e não há tempo suficiente. Temos que permanecer juntos e apoiar-nos mutuamente em todos os cantos do mundo. Precisamos de mais ativistas climáticos, pois quanto mais alto as vozes ecoarem, maior será o impacto.