Boas notícias do Afeganistão!

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Que bom que é receber boas notícias! A escola que construímos no Afeganistão em 2006 continua a funcionar e já acompanha alunas e alunos até ao 9º ano de escolaridade. Recebemos esta boa notícia pela voz de Mina Wali, responsável pela organização Hope of Mother, nossa parceira no Afeganistão entre 2006 e 2012. 

É uma escola mista, embora tenha sido sempre prevista a separação do ensino para raparigas e rapazes, de forma a respeitar a cultural local. 

Na sequência do atentado às torres gémeas em Nova Iorque, em 2001, e da intervenção militar dos Estados Unidos no Afeganistão, cerca de três milhões de afegãos procuraram refúgio no Paquistão.  A AMI enviou de imediato uma missão exploratória para o terreno.   

Cerca de 1.200 milhões de pessoas chegaram às aldeias de refugiados em torno de Peshawar e cerca de 500 mil vivem na cidade, tendo isso afetado diretamente o já frágil sistema de assistência e prestação de cuidados de saúde.  

Por forma a dar resposta a esta situação e exercendo pressão quer no governo, quer no sector de saúde privado, a AMI desencadeou uma operação de assistência médica e medicamentosa acompanhada por ações de apoio nutricional e formação de pessoal local.  

Em 2006, a AMI iniciou uma parceria com a organização afegã Hope of Mother, no âmbito do programa PIPOL (Projetos Internacionais em Parceria com Organizações Locais). A primeira etapa desta parceria consistiu na construção e equipamento da Escola Primária Shawl Patcha em 2006,  situada na Província de Nangarhar, Distrito de Surkhoroad District, e oficialmente inaugurada em agosto de 2007. Nos dois anos seguintes, a AMI continuou a apoiar financeiramente a manutenção da escola.   

A escola acolhia então cerca de 700 alunos, divididos de forma equitativa ao nível do género. Embora a escola seja mista, o funcionamento da mesma previu sempre a separação do ensino de rapazes e raparigas, respeitando a cultura local – Patshun.   

Já em 2008 foi construído um centro de saúde no recinto da escola, que pretendia assegurar o apoio básico de saúde às crianças da escola e também às suas famílias. Dessa forma colmatou-se a falta de condições mínimas no acesso à saúde que decorria do facto dos serviços básicos serem assegurados a uma distância de 4 Km, sendo este percurso feito a pé tendo em conta que não existiam transportes públicos. Esta melhoria assumiu ainda um significado adicional por garantir o acesso direto à saúde por parte das mulheres que, de outra forma, pela distância até à infraestrutura de saúde mais próxima, teriam de se fazer acompanhar por um membro da família do sexo masculino.   

Nesse mesmo ano, a AMI apoiou o alargamento da escola a mais duas comunidades.  

Em 2012 arrancou um projeto cujo objetivo era “contribuir para a promoção da paz e estabilidade na comunidade de Surchroad, através da facilitação do acesso dos habitantes a educação, formação, trabalho, saúde e água potável”. No âmbito desta iniciativa, foi implementado um curso de informática para membros das famílias dos alunos, de forma a dar resposta a um pedido da população local. 

Em maio de 2022 recebemos a notícia de que a escola continua a funcionar e acolhe alunos até ao 9º ano de escolaridade. 

Durante muito tempo temeu-se que  a escola pudesse não sobreviver ao contexto atual do país, sobretudo porque em março deste ano, o regime talibã voltou a proibir as meninas a partir dos 12 anos de frequentar o ensino entre o 7º e o 12º ano, o que representa um enorme retrocesso no acesso à educação e na igualdade de género.  

Entre 2006 e 2012, a AMI investiu no Afeganistão mais de €500.000, maioritariamente nesta escola,  mas também noutros projetos implementados pela ONG Hope of Mother.