AMI retirou 38 pessoas da situação de sem-abrigo em 2020

tenda na rua sem-abrigo

Em 2020, frequentaram os equipamentos sociais da AMI em todo o país, 1.227 pessoas em situação de sem-abrigo, que representam 13% da população total atendida. Distribuem-se principalmente pelos grandes centros urbanos, Grande Lisboa (50%) e Grande Porto (43%).

Foram atendidas pela primeira vez 391 pessoas que se enquadram na tipologia de Sem-Abrigo definida pela Federação Europeia das Organizações que Trabalham com a População Sem-Abrigo (FEANTSA), das quais 32% são mulheres. Até hoje, a AMI já apoiou um total de 13.049 pessoas em situação sem-abrigo.

Dos 123 homens que viveram em 2020 nos Abrigos da AMI em Lisboa e no Porto, 17 conseguiram alguma autonomia financeira e mudaram-se para quartos ou outra resposta de habitação, como habitação social, 3 foram viver com familiares ou amigos, 7 saíram para outra resposta institucional (outro tipo de abrigo ou comunidades terapêuticas), 2 emigraram e 9 saíram para trabalhar fora da zona de abrangência dos Abrigos.

É importante salientar também que, através do acompanhamento e apoio social que receberam nos Abrigos, 44 homens conseguiram colocação no mercado de trabalho, promovendo, consequentemente, processos de autonomização e reorganização da vida pessoal.

Os Abrigos prestam apoio social, proporcionando alojamento, acompanhamento e encaminhamento social e apoio psicológico, vestuário, cuidados de higiene e alimentação, tendo servido 50.534 refeições durante o ano de 2020, mais 10.210 refeições que no ano anterior. Este aumento deve-se ao período de confinamento, durante o qual os Abrigos estiveram abertos 24 horas e passaram a servir também almoços, quando numa situação normal, os beneficiários não podem permanecer durante o dia no Abrigo para se dedicarem à procura ativa de emprego.

Desde 1997, os Abrigos da AMI já apoiaram 1.529 homens em situação sem-abrigo em condições de inserção socioprofissional, sendo que 1.041 foram apoiados pelo Abrigo da Graça desde a sua criação em 1997, e 488 pelo Abrigo do Porto desde a sua abertura em 2006.

Os Abrigos Noturnos que a AMI disponibiliza em Lisboa e no Porto proporcionam alojamento temporário a pessoas em situação de sem-abrigo, do sexo masculino, em idade ativa, que disponham de condições que permitam a sua reinserção socioprofissional. A admissão faz-se, regra geral, por contacto/encaminhamento de instituições e organizações que trabalham com situações que se podem definir como de sem-abrigo (de que são exemplo as Equipas de Rua e os Centros Porta Amiga da AMI). Refira-se, ainda, que em janeiro de 2021, a AMI assumiu a gestão da Casa do Lago, um Centro de Alojamento de Emergência Municipal para mulheres em situação de sem-abrigo criado pela Câmara Municipal de Lisboa no âmbito do combate à Covid-19.

Equipas de Rua da AMI acompanharam 272 pessoas em 2020

As Equipas de Rua da AMI acompanharam um total de 272 pessoas em situação de sem-abrigo, em 2020, das quais 118 foram atendidas pela primeira vez (48 pela Equipa de Rua de Lisboa: 70 pela Equipa de Rua de Gaia e Porto).

Na sua maioria, são homens (78%) entre os 50 e os 59 anos (32%) e entre os 40 e os 49 (25%), naturais de Portugal (79%). Pernoitam sobretudo na rua (39%), em pensões/quartos (15%) e abrigos (temporários ou de emergência) para sem-abrigo (9%).

Os motivos que os levaram a procurar o apoio das Equipas de Rua da AMI foram, sobretudo, a precariedade financeira, o desemprego e a falta de alojamento.

As principais necessidades identificadas foram a alimentação (78%), o vestuário (75%) e o alojamento (60%), sendo que 41% necessitava ainda de uma consulta médica, 23% necessitava de apoio psicológico e 21% de apoio com medicamentos.

As Equipas de Rua da AMI são uma resposta de intervenção social desenvolvida a partir de dois Centros Porta Amiga (a Equipa de Rua de Lisboa, do Centro Porta Amiga das Olaias, a Equipa de Rua de Gaia e Porto, do Centro Porta Amiga de Gaia) de apoio às pessoas em situação de sem-abrigo, tendo como objetivo a melhoria da qualidade de vida da população-alvo, promovendo respostas integradas e holísticas. Procuram ainda complementar a intervenção social realizada pelos Centros Porta Amiga e prestar um apoio psicossocial contínuo de forma a evitar regressões, prevenindo, deste modo, futuras formas de exclusão social.

Estas equipas técnicas prestam apoio social, psicológico e ainda médico e de enfermagem, serviços para os quais contam com a colaboração de assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais contratados, assim como de profissionais voluntários e estagiários nas respetivas áreas.