Um ano após o ciclone Idai… a missão da AMI continua em Moçambique

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Um ano após a tragédia em Moçambique e nos países vizinhos, é imperativo não deixar cair no esquecimento a necessidade de apostar na prevenção e na redução da vulnerabilidade das populações a doenças infecciosas num cenário de catástrofe. A AMI continua no terreno com um projeto de prevenção.

Na sequência das graves inundações que deixaram um rasto de destruição em vários distritos de Moçambique, a AMI implementou uma missão de emergência na cidade da Beira, na Província de Sofala, em resposta ao pedido de ajuda internacional e ao surto de cólera que se viria a desenvolver na região, especificamente nos distritos da Beira, Buzi, Dondo e Nhamatanda. Foi uma das 9 Equipas Médicas de Emergência oficialmente reconhecidas pelo Ministério da Saúde de Moçambique a intervir na Beira.

O projeto implementado contou, numa primeira fase de resposta de emergência com equipas expatriadas, seguida de uma fase de intervenção com uma organização local, com o objetivo de contribuir para reduzir os índices de mortalidade e morbilidade associados a doenças infeciosas prioritárias na população afetada pelo ciclone.

A primeira fase do projeto teve uma duração de dois meses e focou-se na disponibilização de assistência médica e medicamentosa à população abrangida pelo Centro de Saúde Manga Nhaconjo, numa intervenção articulada com o Ministério da Saúde de Moçambique e com o Cluster de Saúde das Nações Unidas. Contou com a participação de uma equipa liderada pelo Presidente da AMI e constituída por 11 expatriados e 19 elementos locais, entre pessoal de saúde, logística e outros de apoio à missão.

A coordenação e implementação deste projeto, bem como a instalação do Hospital de Campanha foram resultado de um trabalho conjunto com as equipas médicas locais do Centro de Saúde. Durante o período de dois meses, a equipa da AMI realizou 2.328 consultas, das quais 726 crianças com idades inferiores a cinco anos.

De forma a garantir que após a 1ª fase da resposta de emergência, as comunidades dos bairros 13 e 14, servidos pelo Centro de Saúde de Manga Nhaconjo, na Beira, continuariam a ser acompanhadas ao nível da saúde, a AMI avançou com a 2ª fase da intervenção, a partir de junho de 2019, em parceria com a Associação local ESMABAMA, através do projeto “Mangwana – Prevenção de Doenças de Potencial Epidémico, Pós Ciclone Idai”.

Por considerar importante continuar a trabalhar, após a resposta de emergência, no sentido de reduzir a vulnerabilidade da população relativamente a doenças infecciosas prioritárias num contexto de pós-desastre, a AMI apostou na formação de ativistas comunitários, para que os mesmos possam desenvolver um conjunto de ações de sensibilização nas escolas e nos bairros anteriormente referidos. Em simultâneo, têm sido identificados e referenciados casos de doenças de cariz infeccioso, bem como garantido o acompanhamento e disponibilização de insumos de reidratação oral e de desinfeção das águas de consumo aos agregados familiares aos quais seja diagnosticado algum caso de cólera e/ou malária. Toda a intervenção comunitária é implementada em estreita coordenação com a Direção e técnicos de saúde do Centro de Saúde de referência, bem como com os professores das escolas e os líderes das comunidades abrangidas.