Carreira – Jovens escolhem longo percurso universitário para fugir ao desemprego

Marta Pereira e Priyal Vassaramo viram muitos colegas desistir do ensino superior nos primeiros meses da licenciatura, assolados pelas dificuldades económicas e incertezas sobre a carreira a seguir. Agora, a caminho de novas metas académicas, as estudantes universitárias desafiam a sociedade a refletir sobre o financiamento do percurso universitário.

Trocam as ofertas de trabalho precário pela continuidade da formação superior, passando da licenciatura para o mestrado e deste para o doutoramento. Na instabilidade do acesso ao mercado de trabalho, Marta Pereira e Priyal Vassaramo defendem que as bolsas de estudo devem ser alargadas, para que os jovens construam carreiras no ensino superior. Um percurso possível quando as bolsas de estudo da ação social se unem a projetos como o Fundo Universitário da AMI.

Marta Pereira tem 25 anos e sempre quis seguir o ensino superior. Começou a concretizar o seu sonho no verão de 2015, quando se candidatou à licenciatura de Ciência Política e Relações internacionais da Universidade Nova de Lisboa. Na mesma época descobriu que a AMI estava a lançar a 1.º edição do Fundo Universitário para apoiar financeiramente estudantes de licenciaturas e mestrados. Candidatou-se e conseguiu adicionar à bolsa da ação social um apoio extraordinário concedido durante quatro anos. “A determinado momento, além deste valor, recebi também um computador portátil, que acabou por ser de grande utilidade para toda a família”, recorda Marta.

Estas bolsas já mudaram a vida de 249 alunos a frequentar licenciatura e 84 a frequentar mestrado que perfazem um total de 232.500,00 euros de investimento. Bolseira da ação social e do Fundo Universitário da AMI, foi assim que Marta supriu grande parte das despesas de propinas e chegou ao doutoramento em 2022.

Para a jovem, “entrar no mercado de trabalho logo após terminar a licenciatura, não era uma opção viável, fosse pela precariedade das ofertas disponíveis, ou pelos maus vencimentos”. Em concertação com a família, a jovem escolheu “continuar a estudar, apesar do custo elevado, para mais à frente conseguir competir no mercado de trabalho”.

“Faz parte do passado, o sonho de uma licenciatura resolver os problemas profissionais dos mais jovens.”

Marta considera que “faz parte do passado, o sonho de uma licenciatura resolver os problemas profissionais dos mais jovens”. Hoje, o desafio é maior, “é necessário fazer a diferença entre milhares de profissionais, seja pela experiência ou pela formação aprofundada”.

Um contexto em que a jovem investigadora considera que “seria interessante se a vida académica fosse realmente vista como uma extensão do mercado de trabalho, alargando o acesso a bolsas e a estágios adequadamente remunerados, como o que equivalente a um salário”.

Ao longo do seu percurso académico, Marta viu muitos dos colegas da Universidade Nova de Lisboa saírem das aulas para não voltarem. Na maior parte dos casos, “a mudança de planos esteve relacionada com falta de condições financeiras e incertezas sobre o curso”.

A certeza de Marta sobre o caminho a prosseguir e o receio de que uma atividade profissional a afastasse dos estudos foram as razões pelas quais, o seu pai, professor no 2.º ciclo do ensino básico, incentivou a sua continuidade no ensino superior, “apesar do esforço financeiro”. Marta prosseguiu prosseguir para o mestrado em Relações Internacionais e concluído com uma dissertação sobre o relacionamento entre os Estados Unidos da América, a Arábia Saudita e Israel.

O Médio Oriente é o tema que leva em continuidade para o doutoramento. Tem paixão pelo enclave geográfico da fronteira da Europa com a Ásia e “gostaria de estudar as causas dos conflitos que dominam aquela região e, quem sabe, ajudar na solução diplomática”. Por agora, sendo filha de um professor quer seguir a mesma carreira, mas, no ensino universitário. Um plano que dificilmente estaria a concretizar se não tivesse acesso ao financiamento complementar do Fundo Universitário.

Priyal Vassaramo, 21 anos, procura um estágio no estrangeiro por causa do “maior reconhecimento profissional”

Quando é necessário ajudar desde as primeiras letras

Com 21 anos, Priyal Vassaramo terminou a licenciatura em Julho deste ano, uma conquista que sempre fez parte do seu plano de estudos e dos sonhos de emancipação e independência.

Durante a licenciatura em Artes Visuais e Tecnologias da Escola Superior de Educação de Lisboa, do Instituto Politécnico de Lisboa, terminada em 2021, Priyal teve sempre acesso a financiamento do Fundo Universitário e a ajuda da AMI não ficou por aqui. Priyal foi beneficiária de um Espaço de Prevenção para a Exclusão Social, da AMI, através do qual recebeu material escolar desde o 1.º ao 3.º ciclo.

Priyal, tal como Marta, nunca viu na licenciatura um ponto final. O mestrado é o seu próximo passo, “para fazer frente a um mercado de trabalho muito exigente, cada vez mais competitivo, onde uma licenciatura há muito que deixou de ser suficiente”. Ainda não está certa sobre a área a seguir, espera encontrar respostas durante a realização de um estágio “de preferência no estrangeiro, para ter maior valorização de currículo”.

Para que as mesmas oportunidades chegassem a todos, Priyal “gostava que fossem disponibilizadas mais soluções financeiras para os estudantes universitários”.

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Estes sonhos que a AMI concretiza desde 2015, contaram com o apoio da Auchan entre 2018 e 2021, através do financiamento de 10 bolsas por ano. Já em 2022, novos parceiros se juntaram ao projeto: Inês Baltazar, Marinelia Leal Business School, Tudo sobre eCommerce, Life Training, Eneacoaching, Mkt Digital Agency, Roberto Cortez, Programa de Aceleração Digital, Paulo Faustino, Academia de Maketing Digital, Oferta Perfeita, OONIFY, Angel Smile, Equilibrium e Longevidade Financeira.