Respostas à pandemia: a Missão continua

A propagação da Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus ou SARS-COV-2 chegou a cerca de 200 países e territórios em todo o mundo, o que provocou um cenário de emergência internacional, levando 1/3 da população mundial ao isolamento.

A Covid-19 (Coronavirus Disease) é a doença provocada por um tipo de coronavírus, que se subdivide em diversas estirpes que maioritariamente provocam patologias em animais. São apenas conhecidas sete tipologias deste vírus que causam doença a seres humanos, como é o caso do SARS-CoV e do MERS-CoV, que em 2002 e 2012 causaram surtos epidémicos em diversos continentes.

O novo coronavírus emergiu em finais do ano passado, na cidade de Wuhan e disseminou-se amplamente por toda a China, gerando uma série de redes de transmissão globais. A Organização Mundial de Saúde viu-se obrigada a declarar uma crise sanitária global e a apelar aos Estados para a adoção de medidas de prevenção urgentes.

As primeiras infeções identificadas terão supostamente tido origem num mercado de animais exóticos em Wuhan, onde este tipo de comercialização é comum, embora ilegal de acordo com a legislação chinesa.

O contágio da Covid-19, de pessoa para pessoa, é feito através de gotículas provenientes de tosse ou espirros de uma pessoa infetada. O peso destas gotículas leva a que as mesmas possam permanecer em superfícies ou fiquem impregnadas nas mãos em caso de contacto físico. Uma vez no organismo, o vírus serve-se das células como transmissor e condutor, podendo levar à inflamação das vias respiratórias superiores e inferiores (como é o caso dos brônquios e dos pulmões).

Febre, tosse e dificuldades respiratórias são os principais sintomas desta doença, embora existam inúmeros casos assintomáticos, o que provoca uma ameaça agravada à propagação, por falta de recognição de sintomatologia.

Países como China, França, Espanha, Estados Unidos, Itália, Irão e Reino Unido foram os mais afetados por esta patologia, ainda relativamente desconhecida para a comunidade médica e científica internacional. A corrida a uma vacina está a levar ao desenvolvimento, por parte de farmacêuticas, comunidades científicas e laboratórios, de testes clínicos experimentais. Segundo a Organização Mundial de Saúde, considera-se a possibilidade de que esta vacina possa combinar antibióticos e retrovirais já utilizados para mitigar doenças como a Malária, HIV, Ébola, Influenza ou Zika, embora não hajam ainda evidências conclusivas desta convergência .

Em Portugal, o Estado de Emergência foi declarado, pela primeira vez, dia 21 de março e renovado até 2 de maio como medida extraordinária de resposta à propagação do vírus.

Os grupos populacionais de risco são específicamente pessoas com mais de 60 anos e/ou portadores de doenças crónicas, nomeadamente diabéticos e pessoas com problemas do foro oncológico, cardiovascular ou hipertensivo .

De forma a conter a disseminação da epidemia, foi desenvolvido em Portugal um Plano Nacional de Resposta e Preparação para a Doença do Novo Coronavirus com diferentes etapas de impugnação e de recuperação (1: Contenção; 2: Contenção Alargada; 3: Mitigação). Atualmente, encontramo-nos na fase de Mitigação, cuja finalidade passa pela aplicação de medidas de reclusão obrigatória à sociedade civil na fase de incubação da doença, salvo exceções ligadas a questões laborais e manutenção de serviços mínimos e essenciais.

Paralelamente, estas medidas pretendem facilitar a identificação de cadeias de transmissão (em ambientes fechados e abertos) como estratégia para travar a morbimortalidade da doença, atendendo a um conjunto de medidas preventivas.

Ciente das suas responsabilidades e da sua vocação na área da Ajuda Humanitária, a Assistência Médica Internacional (AMI) continuou a garantir todo o apoio à população vulnerável que recorre aos seus serviços, e até o reforçou, tendo definido medidas de contingência claras e preventivas em todas as suas infraestruturas em Portugal para a defesa e proteção da saúde tanto dos beneficiários como dos seus colaboradores. Além disso, tratando-se de uma pandemia, a AMI assumiu igualmente a sua responsabilidade para com os parceiros internacionais que, infelizmente em alguns casos, já enfrentam as graves consequências da epidemia no seu país.

Assim, em Portugal mantiveram-se os atendimentos de acompanhamento social, o serviço de apoio domiciliário, e as equipas de rua de atendimento à população em situação de sem-abrigo permaneceram ativas e em estreita colaboração com as instituições que trabalham em rede no apoio a esta população. O serviço de refeitório foi reduzido presencialmente, respeitando todas as normas de segurança, privilegiando-se a entrega de refeições para levar. Já a distribuição alimentar é feita com os protocolos de contingência em vigor, sendo momento também para a promoção da sensibilização dos beneficiários para os cuidados a ter para se protegerem do contágio.

Os Abrigos Noturnos de Lisboa e Porto passaram a estar abertos 24 horas por dia, uma vez que os residentes têm as suas saídas limitadas face às medidas impostas pelo Estado de Emergência.

A AMI envidou ainda todos os esforços para dar resposta aos vários apelos de estruturas de saúde e outros grupos que se mobilizaram para encontrar soluções de combate à Covid-19.

covid-19_hospitaldesetubalAo Hospital de São Bernardo, em Setúbal, foram doadas duas tendas para apoiar as instalações na triagem de utentes suspeitos/infetados com Covid-19 e complementar os serviços prestados.

Em resposta a um apelo da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, a AMI atribuiu um donativo de €20.000 para a compra de álcool e equipamento de proteção individual (EPI) para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

De modo a expandir os meios de resposta em Portugal e garantir que os beneficiários da AMI permanecem em isolamento nas suas casas, como populações vulnerabilizadas e em situação de risco que são, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo, famílias monoparentais e portadores de doenças crónicas, a AMI lançou a campanha “Os AMIgos são para as Ocasiões”.

Esta campanha teve como objetivo angariar fundos para compra de cabazes de produtos alimentares e de higiene base e recrutar voluntários para a sua distribuição aos beneficiários dos equipamentos da AMI, cumprindo as normas de prevenção e segurança da Direção Geral de Saúde e da Organização Mundial de Saúde. Face ao aumento de pedidos de ajuda, este projeto será agora alargado a todas as famílias apoiadas pela AMI, cuja já frágil situação económica se degradou, devido à perda de trabalhos informais ou precários que complementavam as suas receitas mensais.

Relativamente à intervenção da AMI a nível internacional , a Fundação mantém todos os apoios atribuídos às organizações e associações locais, tendo aceite redirecionar os esforços, a pedido de alguns dos parceiros, para deter a propagação da Covid-19 nas regiões onde os projetos estão implementados.

Na Guiné-Bissau, foi doado equipamento de proteção individual ao Centro de Saúde de Bolama, e no âmbito do projeto de Saúde Comunitária, implementado em Quinara, em parceria com a Unicef, foi realizada uma formação destinada a técnicos dos Centros de Saúde, acerca dos riscos e boas práticas a ter para evitar a propagação do novo coronavírus nas comunidades da região.

Na Índia, e a pedido da KBMBS (Kalibata Bidhan Manab Bikash Samity), organização parceira da AMI, o financiamento para o projeto atual, denominado “Sampurna- Preparação e Gestão de Desastres” foi redirecionado para prestar apoio a 20 famílias de cerca de 30 aldeias, através da distribuição de alimentos e bens essenciais.

A Burgher Cultural Union, no Sri Lanka, com quem a AMI tem colaborado em diversos projetos de desenvolvimento ao longo dos anos, também solicitou que parte do financiamento atual fosse realocado para o apoio a 750 famílias da comunidade, através da distribuição de kits alimentares, tendo em conta que estas foram profundamente afetadas pelas medidas governamentais tomadas para mitigar a disseminação da Covid-19.

Pelos mesmos motivos, a Sri Lanka Portuguese Burgher Foundation pediu um apoio adicional à AMI de maneira a conseguir manter os profissionais afetos à Instituição, uma vez que por questões de segurança e prevenção tiveram de fechar as suas instalações temporariamente.

No Senegal, vão ser financiados equipamentos de proteção e higienização em vários postos de saúde e centros de formação profissional construídos com o apoio da AMI.

Os esforços da AMI continuarão a ser canalizados na luta contra a propagação da pandemia, assim como na resposta àqueles que com a instituição têm contado para melhorar as suas condições de vida no que toca à sua dignidade e garantia dos seus direitos fundamentais.

Saiba mais em https://ami.org.pt/acoes-da-ami-no-ambito-da-covid-19/