O Laboratório da Paisagem

O projeto VIMACT – Ação Climática Vimarenense pela Redução da Pegada Ecológica é desenvolvido pelo Laboratório da Paisagem, uma organização de educação e investigação ambiental sediada em Guimarães. Este é um projeto apoiado pelo “No PLANet B!“, uma iniciativa desenvolvida pela AMI e cofinanciada pela União Europeia e pelo Instituto Camões, que contribui para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 – Ação Climática. O grande foco deste projeto passa pela construção de um charco natural e de um corredor ecológico na Montanha da Penha, de forma a capacitar a biodiversidade do lugar, bem como estimular as vivências de espécies autóctones na área do centro escutista de Guimarães, localizado na Penha.

Sendo uma cidade com 240 km2 de extensão, Guimarães concentra uma elevada carga de pegada ecológica individual, comparativamente a outras cidades portuguesas, em resultado do parco sistema de transportes públicos da cidade, do elevado consumo de carne e de desperdício alimentar. A redução da pegada ecológica é o que se pretende alcançar, a longo prazo, com esta iniciativa através do incentivo à renaturalização e restauro ecológico da região.

“Se conseguíssemos reduzir o consumo de carne na cidade conseguiríamos reduzir em 19% a pegada ecológica“, esclarece Ana Morais, bióloga e uma das responsáveis pelo projeto VIMACT. 

Ana Morais explica ainda que “ao aumentarmos a biocapacidade vamos conseguir reduzir a pegada ecológica. E esclarece: “Ao aumentarmos a biocapacidade vamos conseguir reduzir a pegada ecológica. Em Guimarães a biocapacidade é muito reduzida, ou seja, a quantidade de recursos e serviços de ecossistemas que temos é muito diminuta no nosso território. Queremos por isso criar este charco para que ele possa ser reproduzível, assim como o corredor ecológico para que possamos garantir o sequestro de carbono”.

A bióloga Ana Morais capta imagens de um pequeno charco na Montanha da Penha.

Para este efeito, a construção de um charco é uma das metas do Laboratório da Paisagem, que já sensibilizou a comunidade vimaranense para a importância de recriar este tipo de reserva de água doce de modo a concentrar vegetação na sua margem, bem como plantas subaquáticas, trazendo espécies animais que prosperam neste tipo de ambiente, húmido e rico em alimento. Por outro lado, é uma forma de concentrar carbono na estrutura do charco e “extraí-lo” da atmosfera envolvente, ficando cativo no solo, no caso do charco secar.

Este charco será irrigado por canais de água doce que serão encaminhados para que recriem pequenas cascatas naturais, sendo esse trilho complementado pelo corredor ecológico de cerca de 1500 árvores autóctones que descem a montanha da Penha, ou seja, espécies endémicas mais facilmente adaptadas às características do solo e do clima do território e por isso mais resistentes a doenças e pragas.

Esta iniciativa tem sido desenvolvida em parceria com a Câmara Municipal de Guimarães que disponibilizou as árvores que irão compor a “infraestrutura verde”.

Nuno Silva, coordenador do projeto VIMACT, garante que o charco estará pronto até ao final de novembro, e que de seguida irão estabelecer as ligações ao mesmo.

Numa última fase, proceder-se-á à conclusão do corredor. Todo este processo será feito à medida que se formarem todos os voluntários que queiram integrar esta ação. O Laboratório da Paisagem considera imprescindível a participação ativa da população local, através da sensibilização, no processo de regeneração da biodiversidade vimaranense. Este projeto terá o seu término em março de 2020. Até lá, mãos à obra!