Líbano, um país martirizado

Líbano_Beirute

O Líbano, que já foi considerado a Suíça do Médio Oriente, vive desde 1975 uma sucessão de conflitos e tragédias devido nomeadamente à sua posição geográfica, entalado entre o Mediterrâneo, Israel e a Síria, a sua composição religiosa: católicos (maronitas) e outras comunidades cristãs, muçulmanos (xiitas e diversas minorias como os drusos e alauitas, sunitas). Para não falar da sua constituição de 1948, da sua classe política, onde hoje o Hezbollah é um interlocutor incontornável pela sua estrutura militar, por estar inserido na maior comunidade religiosa, a xiita (cerca de 60% da população) e pela sua forte ligação ao Irão… e ainda da corrupção endémica.

Nos últimos 45 anos, os libaneses, povo comerciante e particularmente resiliente devido a um percurso histórico invulgar desde os fenícios, têm vivido entre guerras civis, conflitos com Israel, conflitos políticos graves, assassinatos, chegada maciça de refugiados palestinianos e, mais recentemente, sírios e alguns momentos de paz que de imediato aproveitaram para reconstruir o seu belo país e a sua moderna capital, Beirute, encravada entre o mar e a montanha.

Porque conheço o Líbano, onde estive em várias missões de emergência com os MSF e a AMI desde 1982, não tenho a mínima dúvida que rapidamente superarão essa nova tragédia, desta vez puramente acidental e devida à incúria e ao desleixo num país em profunda crise social, económica e financeira, que é, pese embora os mortos, feridos e a destruição, muito inferior às anteriores que vivenciei e com eles partilhei. Com a ajuda de um povo que sempre soube rapidamente renascer, tal fénix, das cinzas e essencialmente com a pronta ajuda, como sempre, da sua numerosa, ativa e influente diáspora, presente em todos os continentes e sobretudo na região (Emirados Árabes Unidos).

A AMI saberá prestar, se assim for necessário, como sempre o fez, uma ajuda célere com os seus parceiros locais.

Prof. Doutor Fernando Nobre,
Fundador e presidente da AMI