Atribuídos dois primeiros prémios ex-aequo e cinco menções honrosas do “Prémio AMI – Jornalismo Contra a Indiferença”

jornalismo contra a indiferença 2020

“O lugar onde nem eu nem tu queremos viver” de Marta Gonçalves (Expresso) e “Entregues à sorte” de Amélia Moura Ramos (SIC) são os trabalhos vencedores da 22.ª edição do Prémio AMI – Jornalismo Contra a Indiferença.

O júri, constituído por Miriam Alves, vencedora do ano anterior, Ana Paula Cruz, médica e ativista humanitária e Tânia Barbosa, Administradora e Diretora do Departamento Internacional da AMI, decidiram atribuir ainda 5 menções honrosas aos trabalhos “A hora da chegada”, de Catarina Fernandes Martins e Tiago Carrasco (Expresso), “Em silêncio”, de Sónia Simões e João Francisco Gomes (Observador), “Morte no Lago”, de Micael Pereira (Expresso), “Rohingya, um povo sem pátria”, de Mariana Ferreira Barbosa (TVI), “Yazidis, e o genocídio esquecido”, de Marta Vidal (Fumaça).

“O lugar onde nem eu nem tu queremos viver”, de Marta Gonçalves, foi considerado pelo júri um trabalho multimédia profundo e tocante, completo no contexto e no detalhe, exemplar na forma e no conteúdo, sobre o que é viver em Moria, sobre os percursos de vida dos que esperam no maior campo de refugiados da Europa e sobre as políticas que eternizam essa espera. Esta peça teve a edição de vídeo e sonorização de José Santos Duarte, ilustração de João Carlos Santos, infografia de Jaime Figueiredo, e ainda o web design e web development de Tiago Pereira dos Santos e Mário Romero, respetivamente.

“Entregues à Sorte, de Amélia Moura Ramos e Isabel Osório, destacou-se, segundo o júri, por retratar em cinco episódios a presença norte americana na Base das Lages, na Ilha Terceira, o contexto de pobreza e a entrega de crianças a famílias norte-americanas e o seu impacto ao longo de décadas. A concretização deste conteúdo de vídeo contou com a captação de imagem de João Lúcio, Manuel Ferreira e Rui Caria, a produção de Diana Matias e pós-produção de aúdio de Octaviano Rodrigues. O grafismo foi idealizado por Sérgio Maduro, a coloração por José Dias e as operações com recurso a drone por Tiago Sousa.

Por sua vez, o conjunto de reportagens “A hora da chegada”, “O lado lunar da integração”, “O refúgio é um lugar incerto” de Catarina Fernandes Martins e Tiago Carrasco, para o júri, denuncia, de forma muito completa, e através da voz urgente, de pessoas que são quase sempre número, as falhas no processo de reinstalação, recolocação e de receção e acolhimento de refugiados em Portugal.

Já o trabalho de investigação “Em Silêncio”, de Sónia Simões e João Francisco Gomes, foi considerado pelo júri como tendo um grau de profundidade inédito sobre a forma como a igreja portuguesa lidou com casos denunciados de abuso sexual. Um trabalho completo, cru e delicado, que segue em simultâneo os percursos de cada um dos casos na justiça e nas hierarquias da igreja. A ficha técnica deste trabalho contou com a fotografia de João Porfírio, ilustração de Mariana Cáceres, infografia e mapas de Raquel Martins e Tiago Couto.Alex Santos foi responsável pelo desenvolvimento de multimédia, Nuno Neves pela criação do vídeo, contando ainda com a edição de Sara Antunes de Oliveira e Miguel Pinheiro.

“Morte no Lago”, de Micael Pereira, sobre o protesto de uma comunidade de pescadores perante os danos provocados pela exploração de uma mina de níquel na Guatemala, o assassinato de um pescador pela polícia e a perseguição aos jornalistas que assistiram são os pontos de partida para um trabalho de investigação magistralmente construído e contado, nas palavras do painel de jurados.

A peça “Rohingya, um povo sem Pátria”, de Mariana Ferreira Barbosa, foi descrita pelo júri como uma reportagem que nos mostra o terrível drama humanitário de uma minoria muçulmana, vítima de uma limpeza étnica no Myanmar, e a violência a que continua exposta no maior campo de refugiados do mundo, no Bangladesh. Para a realização desta reportagem, Nuno Gomes Lopes trabalhou a Imagem, pelo que a sua edição foi da responsabilidade de Paulo Moura e Pedro Darcos. O Grafismo foi da autoria de Ricardo Rodrigues.

“Yazidis – o genocídio esquecido” de Marta Vidal, é para o júri um trabalho que encurta, de forma brilhante, a distância que vai daqui à montanha de Sinjar, através da denúncia profunda e descritiva da perseguição secular e do genocídio do povo Yazidi. Pedro Miguel Santos e Bernardo Afonso contribuíram para a edição, banda sonora e edição de vídeo, respetivamente.

Os jornalistas distinguidos com o 1.º prémio dividiram os €7.500 do galardão e receberam um troféu alusivo ao evento, estendendo-se também esta última distinção aos autores dos trabalhos galardoados com menções honrosas.

Face à impossibilidade de uma cerimónia presencial, a iniciativa realizou-se exclusivamente online, e contou com as intervenções do Presidente da AMI, Fernando Nobre, que presidiu à sessão, dos membros do júri e dos jornalistas premiados.