AMI volta a representar Portugal na FEANTSA

Fotografia: Alfredo Cunha

A AMI representa Portugal pela segunda vez no Conselho de Administração da FEANTSA (Federação Europeia de Associações Nacionais que trabalham com a População Sem-Abrigo), a maior rede europeia de instituições que atuam nesta área. A adesão da AMI remonta a 1997, tendo assegurado, pela primeira vez, a representação nacional no Conselho de Administração da instituição no biénio 2009/2011.

Desde 1999, a AMI já apoiou mais de 12.500 pessoas em situação de semabrigo, através dos Centros Porta Amiga em todo o país, Abrigos Noturnos de Lisboa e Porto e das Equipas de rua de Lisboa, Porto e Gaia.

Em 2019, frequentaram os equipamentos sociais da AMI, 1.386 pessoas em situação de sem-abrigo, representando 14% da população total atendida. Distribuem-se principalmente pelos grandes centros urbanos, Grande Lisboa (63%) e Grande Porto (30%). Foram atendidas pela primeira vez 418 pessoas, das quais 29% são mulheres. Dos 163 homens que viveram nos Abrigos Noturnos da AMI em 2019, 44 conseguiram alguma autonomia financeira e mudaram-se para quartos ou apartamentos alugados ou outra resposta de habitação, 10 saíram dos Abrigos para ir viver com familiares ou amigos, 2 saíram para outra resposta institucional (outro tipo de abrigo ou comunidades terapêuticas) e 4 emigraram. De destacar também que 28 destes beneficiários conseguiram colocação no mercado de trabalho, o que permitiu uma maior autonomia e reorganização da vida pessoal.

Desde 1997, os Abrigos Noturnos da AMI em Lisboa e no Porto já apoiaram 1.465 homens em situação sem-abrigo em condições de inserção socioprofissional, sendo que o Abrigo da Graça apoiou 1.006 pessoas desde a sua criação (1997) e o Abrigo do Porto 459 pessoas desde a sua abertura (2006).

Os Abrigos Noturnos que a AMI disponibiliza em Lisboa e no Porto proporcionam alojamento temporário a pessoas em situação de sem-abrigo, do sexo masculino, em idade ativa, que disponham de condições que permitam a sua reinserção socioprofissional. A admissão faz-se, regra geral, por contacto/encaminhamento de instituições e organizações que trabalham com situações que se podem definir como de sem-abrigo (de que são exemplo as Equipas de Rua e os Centros Porta Amiga da AMI). Para além de proporcionarem alojamento, os Abrigos prestam apoio social e psicológico, vestuário, alimentação, cuidados de higiene e apoio na procura de emprego.

Equipas de rua da AMI acompanharam perto de 400 pessoas em 2019

Em 2019, as Equipas de Rua da AMI acompanharam um total de 393 pessoas em situação de sem-abrigo, das quais 190 pessoas pela primeira vez (46 pela Equipa de Rua de Gaia e Porto; 144 pela Equipa de Rua de Lisboa). Os principais motivos apontados foram a precariedade financeira (63%), o desemprego (50%) e a falta de alojamento (33%). A maioria das pessoas apoiadas são homens (84%), entre os 50 e os 59 anos (30%) e entre os 40 e os 49 (27%), naturais de Portugal (80%), e sem qualquer atividade profissional. Pernoitam, sobretudo, na rua (41%), mas também em abrigos temporários ou de emergência) para sem-abrigo (12%) e pensão/quarto (10%). As principais necessidades básicas identificadas foram a alimentação (79%), o vestuário (68%) e o alojamento (57%), sendo que 40% necessitava ainda de uma consulta médica e 19% de apoio com medicamentos.

As Equipas de Rua são uma resposta de intervenção social desenvolvida a partir de três Centros Porta Amiga (a Equipa de Rua de Lisboa, do Centro Porta Amiga das Olaias, a Equipa de Rua de Gaia e Porto, do Centro Porta Amiga de Gaia e a de Almada, que desenvolve trabalho no âmbito da intervenção social do NPISA (Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo) de Almada) de apoio às pessoas em situação de sem-abrigo, tendo como objetivo a melhoria da qualidade de vida da população-alvo, promovendo respostas integradas e holísticas. Procuram ainda complementar a intervenção social realizada pelos Centros Porta Amiga e prestar um apoio psicossocial contínuo de forma a evitar regressões, prevenindo, deste modo, futuras formas de exclusão social. As Equipas de Rua da AMI são equipas técnicas que prestam apoio social, psicológico e ainda médico e de enfermagem, serviços para os quais contam com a colaboração de assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais contratados, assim como de profissionais voluntários e estagiários nas respetivas áreas.