Alterações climáticas: o maior desafio para a Humanidade

As alterações climáticas já em curso, e num processo talvez já imparável neste século, constituem, não duvido, a maior ameaça à sobrevivência da Humanidade tal como hoje ainda existe.

Essa ameaça decorre evidentemente das alterações climáticas de per si, mas também, e talvez sobretudo, dos efeitos devastadores que elas terão sobre os habitats marinho, terrestre e aéreo.

Por cada grau que a temperatura média global subir no Planeta (e é possível que até ao final do século suba 6º C a 7º C), haverá um encadeamento de consequências que colocará em risco a sobrevivência de muitas espécies animais, inclusive a nossa, e vegetais e que provocará movimentos populacionais quiçá nunca vistos, tanto mais que a população humana, assim como de outras espécies, atingirá o seu clímax até 2060, quando os seres humanos serão mais de dez mil milhões.

Com o degelo da Antártida, do Ártico, da Gronelândia, do Alasca, dos Himalaias, dos Andes, da Islândia e outros pequenos glaciares montanhosos ainda existentes…. O nível dos Oceanos e Mares poderá subir de dois a seis metros, ou mais, o que reduzirá substancialmente as zonas costeiras, os deltas dos grandes rios assim como muitas ilhas repúblicas do Índico e do Pacífico, onde já hoje se aglomera 60% da população mundial!

A imprevisibilidade de alternância entre altíssimas temperaturas, secas, incêndios, chuvas torrenciais, deslizamentos de terras, cheias… tornará as antigas estações, nos dois hemisférios Norte e Sul, completamente obsoletas com impactos devastadores sobre as agriculturas e as pragas das doenças sazonais e vectoriais.

A fome, as migrações, a instabilidade política e as guerras daí decorrentes irão destabilizar largas regiões do Mundo com impacto muito mais relevante nas regiões já hoje menos desenvolvidas, embora, obviamente todos os países serão gravemente afetados. Já estamos numa situação de extrema urgência global. Que ninguém tenha dúvida!

Ou atuamos TODOS convictamente e já para talvez daqui a 30 anos vermos uma luzinha no fundo do túnel onde já entramos! Ou então daqui a 20 anos, estaremos já em plenas trevas: Então, se eu ainda for vivo, terei 87 anos e lutarei convosco para, em conjunto e in extremis, salvarmos o que ainda for possível salvar!

Prof. Doutor Fernando de La Vieter Nobre
Fundador e Presidente da Fundação AMI