Abertura de novo hospital no Bangladesh depende de ONG portuguesa

A AMI está determinada a concluir um hospital que vai mudar a vida de 700 mil pessoas no Bangladesh.

O sonho começou nas ideias da ativista Lipika, que trabalha em parceria com a AMI. Pelo caminho surgiram obstáculos que podem ser ultrapassados com 50 mil euros.

Em Portugal, as urgências hospitalares estão a funcionar de forma intermitente, pelo menos, até dezembro. Faltam médicos e a obstetrícia é uma das especialidades mais prejudicadas, deixando centenas de mulheres sem assistência. E se nossa a crise na saúde não fosse temporária?

É assim que 700 mil pessoas vivem no distrito de Satkhira, no Bangladesh, enquanto esperam um novo hospital e um instituto para formação de profissionais da saúde. Com a missão de ajudar a associação DHARA a concretizar este sonho, a AMI desafia todos os portugueses a construírem o hospital e o instituto, angariando 50 mil euros.

A AMI reconhece que “o Bangladesh está distante de Portugal e que este é um momento delicado para a nossa Saúde”. Mas, também defende que, “deixar de concluir o novo hospital no Bangladesh é uma enorme perda de recursos, num país extremamente pobre”.

Com o novo hospital e o instituto de formação, a AMI e a DHARA esperam conseguir, não só, assistência médica de qualidade para a população de Satkhira como, também, formar profissionais através de cursos de enfermagem, patologia, paramédicos, medicina dentária e imagiologia. Um equipamento dependerá do outro, porque os profissionais formados vão realizar estágios no hospital e as autoridades locais de saúde não permitem que o hospital abra sem que o instituto de formação esteja concluído.

De acordo com o plano de construção no 1º andar do edifício, cinco quartos permitirão o internamento de doentes e duas salas de formação estarão disponíveis para os alunos do instituto. O 2º andar terá disponíveis mais seis salas de formação, uma biblioteca e uma sala de professores. No 3º andar, há planos para a construção de um auditório.

“O sonho de Lipika”

O novo hospital de Satkhira já é conhecido como “o sonho de Lipika” devido à ação incansável desta ativista, que não desiste do plano de levar cuidados de saúde a 700 mil pessoas.

Lipika Das Gupta sonha construir um hospital no Bangladesh, como quem sonha dar a volta ao mundo, ou comprar uma casa. Sonhar com o “abrir as portas” de um novo hospital não é simples, mas, Lipika não aceita o “não” nem desiste das causas em que acredita.

A ativista defende as populações vulneráveis do Bangladesh há mais de 20 anos, mesmo tendo que ultrapassar barreiras sociais e preconceitos. É mulher e hindu, num país de maioria muçulmana. Os dois fatores que poderiam ter impedido Lipika de trabalhar em prol das comunidades carenciadas foram, pelo contrário, a força e inspiração para a ativista fundar a DHARA, há 20 anos. Através desta associação, Lipika empoderou mulheres que, hoje, também trabalham na ação e desenvolvimento humanitário, sem distinção de género, cultura ou religião.

Fotografia: Timothy Lima

Mais informações em https://ami.org.pt/missao/construcao-hospital-instituto-formacao-saude-bangladesh