A maior ameaça à sobrevivência da Humanidade

Estamos a sair de um momento particularmente difícil para a Humanidade, em que a nossa resiliência, esperança e altruísmo foram postos à prova, mas é fundamental que o nosso humanismo, as Democracias e a nossa cidadania coletiva, solidária e responsável saiam fortalecidos. Não podemos ignorar os desafios que já existiam e que continuam a agravar-se.

Subscrevo, por isso, com sentido de dever, a carta que milhões de colegas médicos e outros profissionais de saúde dirigiram a 20 líderes mundiais, alertando para as consequências das alterações climáticas.

Os males não são de um mundo longínquo, são nossos, são meus, são seus e o nosso tempo esgotou-se. Não há uma forma mais sensível de o dizer…

Podemos e devemos refletir sobre o que podemos fazer e mudar comportamentos e atitudes para alterar o fatídico rumo de um planeta que é nosso, um planeta que já não aguenta e não tolera mais a nossa culpada negligência. Não temos sabido escutar e interpretar os muitos sinais anunciadores de mudanças e, por isso mesmo, não soubemos ainda adaptar-nos corretamente aos novos tempos e às suas prementes exigências. Não temos propriamente sido gestores exemplares do nosso bem-estar futuro.

Porém, já não se trata de uma opção. Trata-se do nosso dever enquanto cidadãos e do direito das gerações futuras a usufruírem de um planeta sustentável e harmonioso!

As alterações climáticas já em curso, e num processo talvez já imparável neste século, constituem, não duvido, a maior ameaça à sobrevivência da Humanidade tal como hoje ainda existe.

Essa ameaça decorre evidentemente das alterações climáticas de per si, mas também, e talvez sobretudo, dos efeitos devastadores que elas terão sobre os habitats marinho, terrestre e aéreo.

Por cada grau que a temperatura média global subir no Planeta (e é possível que até ao final do século suba 6º C a 7º C), haverá um encadeamento de consequências que colocará em risco a sobrevivência de muitas espécies animais, inclusive a nossa, e vegetais e que provocará movimentos populacionais quiçá nunca vistos, tanto mais que a população humana, assim como de outras espécies, atingirá o seu clímax até 2060, quando os seres humanos serão mais de dez mil milhões.

Com o degelo da Antártida, do Ártico, da Gronelândia, do Alasca, dos Himalaias, dos Andes, da Islândia e outros pequenos glaciares montanhosos ainda existentes…. O nível dos oceanos e mares poderá subir de muitas dezenas de metros, ou mais, o que reduzirá substancialmente as zonas costeiras, os deltas dos grandes rios, assim como muitas ilhas repúblicas do Índico e do Pacífico, onde já hoje se aglomera 60% da população mundial!

A imprevisibilidade de alternância entre altíssimas temperaturas, secas, incêndios, chuvas torrenciais, deslizamentos de terras, cheias… alterará completamente as antigas estações, nos dois hemisférios Norte e Sul, com impactos devastadores e imprevisíveis sobre as agriculturas e as pragas das doenças sazonais e vetoriais.

A fome, as migrações, a instabilidade política e as guerras daí decorrentes, nomeadamente, as guerras religiosas inclusive na Europa, irão destabilizar extensas regiões do Mundo com consequências negativas gravíssimas que afetarão todos os países, mas evidentemente de forma muito mais relevante nas regiões já hoje menos desenvolvidas. Já estamos numa situação de extrema urgência global. Que ninguém tenha dúvida!

Ou atuamos TODOS convictamente e já para talvez daqui a 30 anos vermos uma luzinha no fundo do túnel onde já entrámos, ou daqui a 20 anos, estaremos num beco sem saída.

Eu estou determinado a fazer a minha parte e conto convosco! Se todos trabalharmos em conjunto e desempenharmos o nosso papel na preservação do planeta, não será preciso um plano B.

Prof. Dr. Fernando de La Vieter Nobre
Fundador e Presidente da Fundação AMI

 

Foto: Alfredo Cunha